Largo De S. Domingos

Largo de S. Domingos - Para o Largo de S. Domingos, onde já em princípios da era de quinhentos, existia um celebrado chafariz, demolido em 1882, ergueu-se a capela de Nossa Senhora das Neves, ou da Escada, porque por uma escada se subia até ela, e ainda os famosos alpendres e tendas junto ao muro do adro, um dos grandes locais do comércio desde o século XIV. O Largo de S. Domingos era, e foi durante séculos, um nó de comunicações dentro dos vários bairros da cidade quinhentista. O aspecto do local modificou-se bastante nos tempos modernos, mas ainda assim conserva muito do tipicamente portuense nas suas edificações e perfil das ruas. O largo foi conhecido, até meados do século passado, por Praça ou Terreiro de Santa Catarina, nome associado à Santa que se encontrava no cunhal da actual papelaria Araújo & Sobrinho. No local onde hoje vemos a referida papelaria havia uma fonte adossada (demolida em 1922), construída entre 1846-1850 para substituir o chafariz quinhentista que existia no centro do largo e que fora demolido em 1845. Virada para o largo ficava a Capela de Nossa Senhora das Neves ou da Escada, também hoje desaparecida. O adro do convento (que se estendia da Capela de S. Crispim até ao início da Rua de Belomonte) era uma zona de grande actividade comercial desde o século XIV. O alpendre formado na parede da casa conventual desempenhava as funções de uma praça pública, tendo-se aí realizado reuniões camarárias e funcionado o Tribunal da Cidade. Junto a este alpendre erguiam-se tendas de pequeno comércio, cuja actividade contribuía para a animação da zona. O Largo de S. Domingos esteve ainda ligado às transformações urbanísticas ocorridas no tempo de João de Almada e Melo. Núcleo articulador de artérias vitais da parte antiga da cidade (Rua das Flores, Rua de Belomonte, Rua da Rosa, Rua das Congostas, Rua da Ponte de S. Domingos), para a sua remodelação projectou o Cônsul inglês John Whitehead uma praça triangular fronteira ao convento que não teve sequência. Assim, o acesso à Rua das Flores ou Rua de Santa Catarina das Flores, como também era conhecida (mandada abrir por D. Manuel I em 1518), continuou a fazer-se com dificuldade, mas a magnífica fachada da Igreja da Misericórdia (1749-50), da autoria do italiano Nicolau Nasoni, é vista da mesma maneira como foi perspectivada pelo seu autor. ( Fonte desconhecida - Arquivo da Toponímia )