Largo Do Colégio

O Largo do Colégio é formado pela praça que se desenvolve a Ocidente da fachada principal da Igreja do Colégio de S. Lourenço, no espaço criado pela demolição de casas e ruas, das quais ainda se podem ver alguns vestígios. A este Largo vão dar as Escadas do Colégio, que garantem o acesso quer à Travessa da Pena Ventosa e Largo do mesmo nome, quer ao Largo Dr. Pedro Vitorino. É conhecido popularmente por Largo dos Grilos porque o Colégio de S. Lourenço, depois da extinção dos Jesuítas, foi adquirido pelos Frades Eremitas de Sto. Agostinho, que tinham a sua sede em Lisboa, ao Grilo. Sobre os primórdios da fixação dos Jesuítas na cidade do Porto refere Magalhães Basto que 'No ano de 1560, em princípios de Maio, chegou a esta cidade, vindo de Coimbra em jornada paro o mosteiro de São Fins, no Minho, o ilustre Padre Francisco de Borja, Comissário da Companhia de Jesus na Península. Agasalhou-se, segundo 'seu santo costume - escreve Baltasar Teles - no hospital da cidade' (Chronica da Companhia de Jesus, Lisboa, 1635, Arq. Distr. do Porto - S. 21 -25.°-9.°, fls. 83 e vº.). Que hospital era esse? O hospital e albergaria de Rocamador - conforme diz Ribadeneira (Cit. Por Manuel Pereira de Novais, Anacrisis, II, 1913, pág. 82 e Padre Francisco Rodrigues, S.J. Hist. Da Companhia de Jesus na Assistência de Portugal. Porto, 1931 - Tomo I, Vol. I, pág. 406, nota 3) - e que, sito na rua dos Caldeireiros, era o mais importante do Porto? Ou o hospital e albergaria de Santa Clara na rua dos Mercadores - como afirmam D. Rodrigo do Cunha (Catálogo dos Bispos do Porto. II parte (2.ª ed.), pág. 205) e Manuel Pereira de Novais? Adopto esta opinião o douto historiodor Pe. Francisco Rodrigues. Também o preferimos. (...) Duma forma ou doutro, o licença foi concedida, pelo que a curta passagem de Borja pelo Porto - não se demorou aqui mais que uma noite e meio dia (Pe. Francisco Rodrigues, ob. e vol. cit., pág. 406. ...) - foi o impulso decisivo poro o fundação do Colégio que havia de receber o nome de S. Lourenço.'. O primitivo Colégio dos Jesuítas foi instalado nas casas de Henrique Nunes Gouveia, na Ribeira, tendo sido inaugurado a 10 de Agosto de 1560. Ficou, por isso, a ser conhecido como o Colégio Velho, sendo assim designado por muito tempo. Segundo Magalhães Basto, as 'casas do Gouveia', apesar de estarem bem situadas, 'tinham o inconveniente de estar metidos numa viela de menos de dez palmos de largura, e contínuas o outros edifícios que dificultariam o expansão do colégio'. A Ordem cedo começou a receber doações, ampliando o seu património: 'No princípio de 1561 já possuíam os religiosos sete morados de casos, não só no sopé do monte junto à praça do Ribeira, mas também no alto perto do catedral'. Esclarece o mesmo autor que '(...) à Praça da Ribeira ia dar a Rua dos Mercadores que passava, bastante íngreme, junto da Rua do Colégio Velho de S. Lourenço. (...) Ora a Rua que, próximo da Praça da Ribeira, desemboca na Rua dos Mercadores, e pela qual, subindo íngremes escadas, se vai dar à Rua do Barredo e depois às Escadas do Codeçal - é a estreita viela de menos de 10 palmos de largura que tem hoje o nome singularmente expressivo de Rua de S. Francisco Borja!'. Em 1577 os Jesuítas transferiram-se do Colégio Velho (que se localizava no Barredo) para o cimo da Rua das Aldas (hoje Rua de Santana), onde ergueram o Colégio de S. Lourenço, ou dos Grilos Extintos os Frades Eremitas de Sto. Agostinho, em 1834, o edifício passaria a ser ocupado pelo Seminário Maior de Nª. Srª. da Conceição. Para a construção do Colégio dos Jesuítas destruíram-se uma série de ruas, infelizmente mal caracterizadas, entre as quais se contam a Rua da Sinagoga (que devia continuar a Rua das Aldas, hoje Rua de Santa) e a rua Francisca ou Francígena, ou seja, a rua dos Francos (documentada pelo menos desde 1233). Fausto Martins, que se debruçou monograficamente sobre a construção do Colégio de S. Lourenço dos Jesuítas, sublinha que a implantação do Colégio foi decidida por se tratar de uma zona alta, bem colocada, com vista magnífica e bons ares. Ou, como declarava o Padre Juan Perez, em carta de 1574, era um sítio 'muy sano, y alegre y solitario'. A construção do Colégio e da Igreja levou à destruição de diversas casas na zona terminal da Rua das Aldas (hoje Rua de Santana), aproveitando muitos ternos doados expressamente para o efeito e outros adquiridos ou escambados. Os trabalhos iniciais acabaram por demorar mais tempo e custar mais do que inicialmente previsto por terem surgido dificuldades para se alcançar solo firme, Segundo este autor; 'Admite-se o aparecimento de dificuldades de ordem geológico nos terrenos do colégio. Ter-se-iam acumulado vários sedimentos, o que obrigava o procurar bases mais sólidas e profundas'. A primeira pedra seria, finalmente, lançada em 20 de Agosto de 1573 e a Igreja construída, segundo tudo parece indicar de acordo com o traço do arquitecto Baltasar Álvares (embora continue a não haver uma base documental segura para esta atribuição). Francisco Dias deixou registado nas suas Memórias o lançamento da primeira pedra deste templo: 'a primeira pedra se pôs nesta igreja dia de São Bernardo o 20 dagosto anno de 1573 com prosição do cabido e cidade onde ouue missas e pregação'. Os problemas encontrados durante os trabalhos de construção dos alicerces levaram à alteração de colas na zona do Largo do Colégio, lendo esse largo sido mais rebaixado do que estava previsto inicialmente. O Largo do Colégio apresenta-se, pelo lado Norte, rematado de encontro às penedias, cortadas a pique, e onde em finais do séc. XVI se construíram umas cenográficas escadas estabelecendo a ligação entre o Largo do Açougue (hoje Largo Dr. Pedro Vitorino) e o Largo do Colégio: 'Em 1595 abriu-se um caminho para tornar mais fácil o acesso à futura igreja e construíram-se lanços de escadas com pequenos patamares. Deve tratar-se das escadas que nasciam no Larga dos Açougues que serviriam para fazer a ligação entre os dois planos. As escadas constam de 4 lanços, concebidos em linhas quebradas em função do acidentado do terreno, intervaladas com 5 patamares que se rematam na zona inferior por 5 degraus circulares'. Mesmo em época relativamente recente, o Largo do Colégio seria objecto de intervenções urbanas. Na realidade, nos livros de Plantas encontramos uma 'Planta baixa do Terreiro do Colégio poro se alinhar o lado oposto o Igreja do mesmo, na forma determinada', realizada por Luís Inácio de Barros Lima em 1815 (Livro I, N.º 40). Dessa intervenção continuam a subsistir cicatrizes no local. (Bairro da Sé do Porto - Monografias )