Largo Do Padre José De Oliveira

Padre José de Oliveira, nasceu na freguesia de S. Nicolau, junto ao palácio da bolsa. Fez os seus estudos teológicos na Congregação do Oratório. Filho de gente muito humilde, cedo se sentiu atraído pela sorte dos mais desprotegidos. Depois de concluído o seu curso de teologia, exerceu a sua acção pastoral junto da população ribeirinha. Foi aqui que o surpreendeu a 2ª invasão francesa, comandada pelo Marechal Soult, em 29 de Março de 1809, e que deu origem á tragédia da Ponte das Barcas que o bronze do Mestre Teixeira Lopes recorda aos portuenses num dos muros da Ribeira. Milhares de portuenses ficaram sepultados nas àguas do Douro. Condoido pela sorte das crianças que na catástrofe perderam os pais, fundou o Padre José de Oliveira a 6 de Janeiro de 1814 o Seminário dos Meninos Desamparados, tendo começado a sua obra com cinco crianças em honra das cinco Chagas Cristo. Como o número foi crescendo, juntou-as, em tempos depois, na Rua das Hortas, hoje do Almada. A obra, porém, ia crescendo e viu-se forçado a transferir-se para uma casa da Rua de S. Dinis, onde hoje estão instalados os serviços da 1ª divisão de limpeza urbana da Câmara Municipal do Porto. Porém depois e pela mesma razão passou-se para o Palácio da Torre da Marca, junto à capela da Boa nova, frente ao Palácio de Cristal e que, durante vários anos anos serviu de residência aos Bispos do Porto, até à Sé. Em 1825, por cedência dos Marqueses de Abrantes, passou-se para o Paço da Marquesa, na Rua Chã. Foi só em 1863 e por escritura de 30 de Abril que lhe foi doada a Casa e quinta do Pinheiro de Campanhã pelo benfeitor Luis António Gonçalves Lima, a pedido do Bispo do Porto, de então e particular amigo do doador, D. João de França. No local da velha casa do Campo ergueu o Padre José de Oliveira o edifício, cuja foto se junta. É um edifício que embora sem traça definida é imponente; é uma das principais Instituições de Solidariedade Social e um ex-libris do Porto e que está ligado por um doloroso acontecimento à história do Porto. Bem merece dos homens da edilidade portuense, a homenagem de atribuir o seu nome a uma rua. ( Arquivo da Toponímia )