Praça Da Ribeira

A Praça da Ribeira foi o centro da actividade comercial da cidade até ser substituída nestas funções pela Praça Nova, nos inícios do século XIX. Daí toda a importância dada à sua valorização desde a época medieval. A sua existência é, provavelmente, anterior ao século XIV. Tendo ardido no século XV, foi posteriormente reconstruída. João de Almada e Melo, na altura Presidente da Junta das Obras Públicas é a figura notável que se encontra associada às transformações profundas operadas na Praça da Ribeira. Com efeito, impunha-se não só conferir um cariz monumental a esse espaço, mas também estabelecer uma ligação (que pressupunha a ordenação da área urbana medieval) entre a Praça da Ribeira com a Rua de S. João, desta com o Largo de S. Domingos, Rua das Flores e finalmente Rua do Almada, permitindo o escoamento dos produtos e a deslocação fácil dos habitantes. Entre as diversas figuras que colaboraram na remodelação da Praça da Ribeira destaca-se o cônsul britânico John Whitehead, homem de sólida formação artística e de apurado sentido estético. A ele se devem algumas das propostas mais interessantes para a Praça da Ribeira, designadamente a construção de uma arcada que fecharia os lados poente/sul/nascente, conferindo, assim, ao espaço uma grande unidade. Quanto ao lado sul teria a própria muralha como limite, com uma escada de acesso à parte superior, criando-se uma área de circulação que dominava simultaneamente o rio e o interior da praça. As obras tiveram o seu início em 1776, encontrando-se parcialmente concluídas em 1779.Ao lado da Rua da Fonte Taurina foram mandadas construir pela Junta duas casas que se harmonizavam com o conjunto e que, terminadas em 1785, foram vendidas dois anos depois pelo Senado (hoje, nesta zona, pode ver-se o trabalho cenográfico da autoria de José Rodrigues).Este programa de remodelação abrangeu também a Porta da Ribeira e a Capela de Nossa Senhora do Ó, concluindo-se os trabalhos em 1784. Refira-se que a capela era aberta e dominava a Praça, já que ficava por cima da Porta. Ambas seriam demolidas em 1821.Fora da Porta da Ribeira encontrava-se a Forca e, mais adiante, o Pelourinho. O programa idealizado para a Praça da Ribeira foi completamente desvirtuado: com efeito, foram demolidas a Porta da Ribeira e a Capela de Nossa Senhora do Ó, e alterados, com acrescentos posteriores, os prédios mandados construir pela Junta. Resta, porém, o espírito dessa remodelação e a monumental Fonte da Praça da Ribeira, estrutura arquitectónica adossada à parede da casa fronteira ao rio, com uma altura equivalente a três andares. Iniciada antes de 1784, estava concluída em 1786, sendo John Whitehead, provavelmente, o autor da sua planta. Esta fonte viria a substituir um chafariz do séc. XVII que existiu na praça, hoje reconstruído no seu local de origem, no meio do qual se encontra a tão discutida peça escultórica da autoria de José Rodrigues, conhecida vulgarmente por 'Cubo da Ribeira'. Em seguimento à Praça propriamente dita e para nascente, foram abertas arcadas no Muro da Ribeira, cuja inspiração assenta no modelo londrino das Galerias Adelphi (hoje desaparecidas) e que estavam ligadas à actividade portuária dos inícios do século XIX. Pela sua raridade, constituem um núcleo ímpar na arquitectura portuense. ( Porto Turismo/Património Mundial )