Rua Da Pena Ventosa

A Rua de Pena Ventosa, na Idade Media designada Rua de Palhais, começava na Rua de S. Sebastião (então conhecida por Rua da Sapataria) e ia até ao Largo do Forno, hoje Largo de Pena Ventosa. Percorria, assim, um itinerário paralelo ao da Muralha Românica, pelo lado interior do Muro, sendo sensivelmente paralela à Rua da Bainharia, que fazia idêntico circuito pelo lado de fora. Deste modo, podemos dizer que as casas da actual Rua de Pena Ventosa se encontram erguidas encostadas à Muralha Românica. A origem do topónimo Falhais continua a ser problemática. Artur de Magalhães Basto sugeriu que se teria ficado a dever à existência no local de casas cobertas com colmo, hipótese retomada por Eugénio Andrea da Cunha e Freitas e mais recentemente por Isabel Osório. No entanto, a explicação não parece ser inteiramente satisfatória. Na realidade, ela partiria do princípio de que a existência de casas cobertas com colmo seria algo de singular na paisagem urbana, a ponto de merecer ser memorizada na toponímia. Ou seja, seria de tal maneira estranho aos habitantes do burgo que ali existissem casas com coberturas vegetais que elas teriam sido eleitas para a designação do arruamento. No entanto, é sabido que durante muito tempo as casas urbanas continuaram a ser cobertas com colmo e outros elementos vegetais. Bastará percorrer o Livro das Fortalezas do Reino, de Duarte D' Armas, desenhado em 1509, para vermos como o colmo era abundante na paisagem urbana portuguesa (onde, de resto, o autor não deixa de apontar algumas casas cobertas com telha e mesmo com lajes de lousa ou outra pedra). Por outro lado, sabemos que é no séc. XVI que se multiplicam as directivas municipais obrigando à substituição do colmo e outras coberturas vegetais pela telha, dados os perigos de incêndio. Assim, não seria fado singular na paisagem a existência de casas com colmo na Rua de Palhais. Certamente que muitas outras haveriam noutras zonas do Porto mediévico. Sobre a origem do nome hodiemo - Rua de Pena Ventosa - a sua explicação é bem mais simples de compreender: já a memorizou Henrique Duarte e Sousa Reis, quando escreveu que a Rua de Pena Ventosa 'ou talvez Penha Ventoza; por sua elevação he provavel ser muito açoutado pelo vento este sítio, e maiormente, que a pratica ainda hoje mostre ser elle lavado dos ventos. Creio ser de cauza que nasceo o nome'. A antiga Rua dos Palhais encontra-se mencionada em documentos desde 1387 e 1405. No entanto, devemos sublinhar que estas referências documentais são demasiado tardias, sendo seguro a existência da artéria em épocas anteriores. No Tombo do Cabido de 1566 diz-se que a 'Rua de Palhaes começo no arco de S. Sebastião e vai pella Porta dos Açougues do povo e por detrás das casas da Sapataria pera a Rua das Aldas' e que 'todos as casas dellas entestão com o muro velho'. No Tombo do Cabido de 1566 encontramos referências a um forno quando se menciona a 'Travessa que vai da escada dos Aldas para o Forno da Pena ventosa'. Num outro documento, de 1579, menciona-se o 'Terreiro do Forno, por detrás dos Açougues' que Eugénio Andrea da Cunha e Freitas sugeria que fosse o actual Largo da Pena Ventosa. No Séc. XVII Gonçalo Ceabra, proprietário de umas casas-torres na rua dos Palhaes, que a tradição memorizou como as Torres do Seabra, mandou construir nessa rua e numa 'casa que foi estrebaria que antigamente erão três chãos de casa', os novos Açougues do Povo. Em inícios do Séc. XVII, em 1616, ainda se podiam ver pardieiros nesta Rua. No Tombo do Cabido de 1566 encontramos referências a um forno quando se menciona a 'Travessa que vai da escada das Aldas para o Forno da Pena Ventosa'. Num outro documento, de 1579 menciona-se o 'Terreiro do Forno, por detrás dos Açougues' que Eugénio Andrea da Cunha e Freitas sugeria que fosse o actual Largo da Pena Ventosa. Tal como temos vindo a verificar em outras ruas do espaço urbano do Porto mediévico, a degradação dos prédios começa a ser espelhada de forma sistemática na documentação dos fins do Séc. XVIII e do Séc. XIX. o caso da Rua de Pena Ventosa não foi excepção. - Em 3 de Março de 1843 foi feita Vistoria ao prédio N.º 34 desta rua, propriedade do Visconde de Balsemão, por este se encontrar em ruína. - Em 22 de Outubro de 1866 foi feito um ofício de intimação ao proprietário do prédio N.º 50 a 59 da Rua de Pena Ventosa, por se encontrar em ruínas. - Em 12 de Novembro de 1872 foi feita intimação à proprietária dos N.º 17 a 21 da Rua de Pena Ventosa pelo mau estado do respectivo edifício. - Em 3 de Novembro de 1876 era a vez de Francisco Lopes receber intimação pelo estado ruinoso a que deixara chegar o prédio N.º 85 a 87 desta artéria. De entre as casas desta Rua, salientemos a do lote N.º 36-38-40, uma habitação do Século XV, com porta ogival (correspondente ao N.º 38), que esteve muitos anos abandonada e em rumas, e que infelizmente foi objecto de reconstrução muito recente, sem que tivesse sido realizado o indispensável registo e estudo. ( Bairro da Sé do Porto - Monografias )