Rua De Avis

A Rua de Avis, designação recente, era a antiga Travessa da Fábrica, que encontramos nos registos paroquiais de Santo Ildefonso a partir de 1765: Rua e Travessa da Fabrica do Tabaco. Na esquina destas duas artérias erguia-se uma das mais formosas casas nobres que a cidade teve: era a casa chamada da Fábrica, mandada edificar nas últimas décadas do século XVIII pelo rico negociante Luís António do Souto e Freitas. Filho de humildes lavradores de Rebordões, onde nasceu em 1702; sendo novo, foi procurar fortuna ao Brasil, e passados anos, regressando com grossos cabedais, opulento homem de negócios, com navios seus, residiu algum tempo junto ao Terreiro da Alfândega, até que em 31 de Março de 1754 comprou ao cónego de Guimarães, José Bernardo de Carvalho, umas casas que ele possuía próximo da Fábrica do Tabaco, e no lugar delas fez construir, como ficou dito, uma das mais equilibradas residências de setecentos, que armoriou de seus apelidos de Souto e Freitas - e não de Soutos e Tavares como se tem escrito. Foi Luís António do Souto e Freitas cavaleiro professo na Ordem de Cristo, fidalgo de Cota de Armas, cidadão do Porto, capitão dos Privilegiados da Ribeira das Naus do Ouro e moedeiro de número. Nascendo pobre, em berço do mais humilde veio a morrer rico e nobilitado, na sua casa da Fábrica, em 19 de Abril de 1770. Seus descendentes, ligados por casamentos a famílias de sangue ilustre, possuíram a casa quase até meados do século passado, alienando-a então ao industrial Delfim Ferreira, que a mandou demolir para em seu luar se ampliar o chamado Hotel Infante Sagres. Não se fez tal demolição sem protestos de quantos prezam as coisas belas que o passado nos legou. Tanto que se estipulou a obrigatoriedade de reconstrução noutro lugar - o que nunca se cumpriu, e cremos que não se sabe onde param hoje as suas pedras. À Travessa da Fábrica foi dado o nome de Rua de Avis - com a mesma falta de razão que dedicou o hotel ao infante D. Henrique...».( Toponímia Portuense de Andrea da Cunha e Freitas )